terça-feira, 17 de junho de 2014

Mesmo assim.

 
Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar,
 
Eu poderia voltar pra minha área operacional, sabia? Já havia até feito meus contatos imediatos do terceiro grau, os quais tinham tudo pra dar certo.

Te vejo sonhando e isso dá medo,
Perdido num mundo que não dá pra entrar

Só que não sou tão comprometida assim com critérios, já notou? Tanto que a minha chefa me ofereceu uma gratificação de chefia pra eu não sair daqui e eu aceitei. Eu aceitei.

Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
Você acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Quem diria, né? E vou dizer mais pra vocês, a chefia era de um delegado que está sendo transferido para outro setor. Ou seja, sou o terror das estatísticas. Sou a personificação do improvável no submundo policial. Mulher na polícia, novinha, agente e chefa... Senhores, as histórias desse blog não fazem o menor sentido.

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

 
Daí que se eu desaparecer assim, de repente, procurem por mim atrás daquelas montanhas de papel, chafurdada na lama da burocracia. A vida é assim, mesmo, moçada. Nem tudo tem que fazer sentido, entendeu?

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

 
Vou ficar mais um tempo por aqui, porque sinto que em time que está ganhando não se deve mexer. Isso parece racionalismo, um mecanismo de defesa catalogado por Freud, e de fato é, pois me ajuda a ficar bem com a decisão que tomei.
 
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido

Bom, eu disse que o time está ganhando, não eu... porque essa gratificação não vai compensar o esforço. A minha chefa quer transformar toda a minha vontade de mudar o mundo (sou dessas) em trabalho equiparado ao de escravo, naquela Divisão. Esperta ela. E por isso vou, além de já fazer todo o meu trabalho, acumular as funções do delegado que tá saindo. Claro que não compensa, né?
 
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Raios duplocarpados! Você entendeu que eu, sozinha, trabalho por quatro pessoas? Faz as contas:

  1. aquela delegada que saiu de férias e não voltou +
  2. o agente antigão que foi transferido +
  3. um contratado que fazia as estatísticas +
  4. o chefe daquele setor administrativo = 4
Só por hoje não quero mais te ver,
só por hoje não vou tomar minha dose de você
 
Aceitei, né. Desculpe, Mark Owen, mas troquei uma vida operacional fantástica (fantástica? Tá bom.... menos) para chefiar uma área administrativa na polícia. Não, nem sou mercenária, mas gosto de saber que me querem por perto. Apenas notem como aquela minha chefa me enrolou bonitinho... Calma gente... não será pra vida inteira, mas acho que combina com essa fase da minha vida. 
 
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar*.
 
 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Com licença, eu vou dormir.

Foto: Reprodução de Internet
 
Quer saber o que eu considero um dos benefícios mais atrativos no serviço público? As licenças! Algumas são remuneradas outras não. Mas se você prestar atenção verá que as duas são muito vantajosas em comparação com a iniciativa privada. É um direito seu e ninguém mexe.
 
Por exemplo: as mãezinhas da iniciativa privada, às vezes, sofrem um pouco porque a empresa torce o nariz quando elas engravidam, precisam parar para alimentar, etc. Aqui, você tem uma licença maternidade muito interessante e dá pra ficar um tempo legal com seu filhote, amamentando em paz... curtindo aquele cheirinho de bebê. Isso é o que toda mãe, assumidamente, quer neste momento, seja ela policial ou não.
 
Não obstante, os prejuízos na carreira das mães policiais existem também. Você demora pra ganhar a confiança do seu chefe e dos seus colegas, e quando eles já vêm você com bons olhos, confiam em ti... você "vai pra geladeira" por estar grávida. Fica numa área burocrática até ganhar seu bebê porque a gravidez é incompatível com a área operacional da polícia. Você e o seu bebê precisam ficar um pouco melhor protegidos de se machucarem no trabalho. Acho isso muito digno.

A única coisa chata disso tudo é que depois você vai ter que recomeçar do zero, se e quando surgir uma vaga naquela unidade com a qual você tem afinidade e gosta de trabalhar. Não há garantias de retorno...
 
Mas você acha mesmo que é nisso que a pessoa pensa quando tem um bebê fofinho pra dar o peito? Não, a gente pensa mesmo é que alguém vai dormir felizzzzzz.

sábado, 12 de abril de 2014

Obstáculo.

 
"Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão".
(Oswaldo Montenegro)

domingo, 9 de março de 2014

Uma piada de matar.

 
Mandaram pra este setor, recentemente, um escrivão de polícia. Mas este não é um policial comum. Além de ser um cara humilde, ele fora selecionado entre os selecionados para compor uma equipe de ponta com policiais de altíssimo nível. Eu só conversei com ele e já fiquei fã. Não é qualquer policial que tem condições de trabalhar no local para onde ele tinha sido selecionado.

Mas no meio do caminho tinha um matador de sonhos.
 
Quando finalmente conseguiu falar com O Matador, contou sua história e pediu pra ser então, formalmente lotado no setor já mencionado, afinal tinha vindo de longe pra isso. Mas qual não foi a sua surpresa quando o Delegado Matador lhe comunicou friamente que essa função "não era uma função para ser desempenhada por escrivães" e mandou-o pra cá. Para o papel... "Porque papel é uma função que tem mais relação com aquelas previstas para o cargo dele". O escrivão achou, sinceramente, que era alguma brincadeira de mal gasto. Mas não. O Matador concluiu com essa máxima: "Cada macaco no seu galho" e ponto final.

Lembrei-me de uma piada.

Um camelinho, no zoológico, perguntou pra mãe dele? 
- "Mãe, porque nós temos essas pernas tão grandes?

A mãe respondeu:
- "Para que tenhamos mais facilidade ao percorrer grandes distâncias no deserto, filhote".

O filho sorriu e perguntou:
- E porque temos essas corcovas tão grandes?
 
- "Ora, meu filho", respondeu a mãe, "para que possamos armazenar mais água e sobreviver a longos períodos de estiagem no deserto".
 
O filho fez mais uma pergunta.
- "E por que temos esses cílios tão grandes, mamãe?"
- "É pra proteger nossos olhinhos nas tempestades de areia do deserto, meu amor". Respondeu a mamãe toda orgulhosa.
 
O pequeno e esperto camelinho pensou, pensou, pensou e mandou mais uma:
- "Mamãe, por que temos pernas longas, cílios grandes e essas corcovas enormes... enfim, tantas habilidades tão especiais, se vivemos num zoológico?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Amiga linda (texto removido).

 
(texto removido por motivo de segurança)

 Galera...

Acho que "a casa caiu"... ou não... de qualquer forma, achei prudente retirar o texto dessa postagem (vacilo meu!). SE eu retirar o blog do ar por alguns dias... não se assustem. Eu volto, nem que seja pra dar uma satisfação ou... se for realmente necessário, pra me despedir. É que notei uma movimentação "suspeita" e acho que o espião está perto demais. Porque ou o blog é anônimo ou não tem blog.
 
Mas estou monitorando a situação... Se Deus quiser, o "espião" vai embora, e então a gente segue em frente.
 
; )

Beijos!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O único dia fácil foi ontem.

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Este texto está sendo escrito a partir do meu ponto de vista. Não representa o posicionamento dos instrutores do setor de tiro da minha escola de formação policial, nem é a opinião da minha Academia, nem é a doutrina oficial da minha Polícia. E digo mais... muitos dos meus bons colegas certamente criticariam este texto. Paciência, meu bem... porque o blog é meu.

 
Na minha Academia, o que vai fazer a diferença na nota da galera são as matérias práticas. O resto é tudo nota 10 ou 9.9,  9.8... assim. Essas matérias, principalmente Ed. Física, Defesa Pessoal e Tiro, são também as campeãs em reprovação (vide último curso, meninas). Além disso, na minha modesta concepção, é no tiro, principalmente, que se detecta os alunos psicologicamente despreparados. (Não... não é no psicotécnico, tá?). Mas graças às misericórdias de Deus Pai Todo-Poderoso, foi nessas matérias aí que me saí melhor. Enganei bem!

 Pensa comigo. No caso do tiro, o treinamento me rendeu:
  • a segunda melhor nota na minha turma (a primeira foi de outra menina, oriunda de outra polícia);
  • o apelido carinhoso de "pistoleira" entre os colegas (adorei!!) e
  • um final de semana maravilhoso, namorando, é claro, porque ninguém é de ferro e eu mereci (minha prova foi na sexta-feira à tarde).
Esta "pistoleira" abusada que vos escreve entende que existem três princípios básicos pra se dar bem no tiro. É o "SAT" - Segurança, Atenção e Técnica.
 
Quando partir para as aulas práticas no estande de tiro, certifique-se cuidadosamente de que está com todos os equipamentos necessários e bem ajustados. Isso é fundamental. Se você estiver sem um equipamento de proteção por exemplo, não vai poder fazer aula... e vai levar falta! Use protetor solar, mas limpe bem as mãos depois, pra arma não ficar escorregando; Amarre firme o cabelo e cuidado com o franjão no olho... atrapalha! Amarre forte o cadarço do boot; dá uma passada no banheiro antes... Beba bastante água, porque não pode levar "mamadeira" para a linha de tiro... e re-la-xa. Por que? Porque não dá pra entrar num estande e ficar preocupado com qualquer outra coisa na face da Terra, senão em fazer um tiro seguro e eficiente. Vai por mim.

Não faça ~nada~ sem ter sido comandado antes, (não tire a arma do coldre sem autorização, não municie os carregadores da arma sem comando, não se levante, etc.!) Obs.: municiar é uma coisa, carregar é outra (joga no gugou).
 
 
Só coloque o dedo no gatilho da arma, quando realmente for efetuar o disparo. Só!!! Olhe as fotos na Internet... é tudo com o dedo indicador estendido ao longo da armação. É uma regra espetacularmente simples, mas em quase toda turma ocorre um disparo acidental. Aí, será quase meia hora de sermão do professor com a decepção estampada no rosto, mais o sofrimento dos colegas que estão próximos a você na linha de tiro.
 
 
Por tudo o que lhe for mais sagrado... "Controle a direção do bendito cano da arma", ou seja, jamais, nunca... em hipótese alguma... esqueça a sua arma apontada para alguém ou para uma área não segura. Se você se distrair vai ouvir doces berros dos professores no seu ouvido. Do not do that, ever, pra depois não reclamar que os professores de tiro são grossos... pôxa.
 
Importantississississimo!!! Controle sua ansiedade nessas aulas e preste atenção, meu querido. Ouça  e confie nas orientações dos professores... Aproveite-as! Porque tiro é uma matéria que não se aprende lendo apostila. Não tem como "pegar" depois com um colega. É um passo de cada vez e nessa aula tem que se concentrar no que está sendo feito. É muita informação (que não tem na apostila, repito) em pouquíssimo espaço de tempo. Às vezes o aluno, por melhor que seja, tem dificuldade de acompanhar a aula por causa do cansaço, do stress, da tensão, da adrenalina e... da pressão dos professores... (isso prepara você para o combate em ambientes e situações exigentes). Então, olha... não entendeu? Pergunta! Pede para o professor demonstrar novamente. Por que? Porque tem coisa que se você não prestar atenção, pode se machucar feio! Exemplos (esses bizus você não lê nos fóruns da vida):

  • Na submetralhadora, você deve "colar" o rosto no prolongamento da coronha pra dar estabilidade ao seu tiro (são cinco pontos de apoio dessa arma no seu corpo, o rosto é um deles, cola!). Já na espingarda calibre 12 se você chegar o rosto muito perto da arma esse trambolho vai te dar uma porrada (aconteceu comigo, depois da Academia!) podendo até te quebrar alguns dentes (a SPAS 15, principalmente! Porcaria de arma).
  • Observe exatamente a posição das mãos na empunhadura de cada arma. Muita gente boa machuca o dedo na submetralhadora porque chegou a mão de apoio muito perto do cano da arma. Bisonhice pura... mas acontece muito.
  • Cuidado com a posição das mãos no tiro noturno, a mão que porta a lanterna passa por baixo da mão que segura a arma, obviamente, do contrário o ferrolho vai bater violentamente na mão que segura a lanterna, na hora da ciclagem (quando a arma abre pra saída do estojo). Esta já aconteceu comigo, também... meus amigos Dããã. (mas também foi fora da Academia e ninguém viu... sou super bisonha!) . 
No mais, meus queridos leitores que vão enfrentar a "madrasta" (academia de polícia), os desafios serão um atrás do outro, mas vale a pena! Você vai sentir medo, desânimo, cansaço, desespero, tristeza, dor, solidão... mas se fosse fácil a vitória não seria tão gostosa e essa camisa não seria tão linda e cobiçada! Se você errar, bem-vindo ao clube dos humanos! Fique calado, guarde suas desculpas pra você mesmo e supere isso rápido, aprender a lidar com seus próprios erros e com os erros dos colegas faz parte do treinamento pra vida real. Vai na força que Deus te dá e senta o dedo!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Alfabeto da Academia.

 
A sua vida vai mudar depois que você se tornar um policial (pronto: primeiro cliché do ano). Sua visão de mundo, seu comportamento e o seu alfabeto vão mudar. Vá entrando no clima.
 
O "P1" (lê-se pê-um") é como alguns funcionários e professores chamam a entrada da Academia. A Portaria. O Plantão. No começo é estranho mas depois você entende que "P" é "ponto", logo P1 é o "ponto um". É verdade que não consegui identificar o P2, o P3... Mas o P1 todo mundo aprende logo onde é. Mas P1, P2, P3... também é a nomenclatura com a qual você identifica os policiais num treinamento de abordagem, por exemplo. Assim, em vez de dizer "o policial que está conduzindo o veículo" ou "o policial que está sentado no banco do carona" ou ainda o "o policial que está atrás do banco do carona" fala logo P1, P2, P3... pronto.
 
Como esta, várias outras expressões se resumem a letras e números. Por exemplo, G36, G 17, PT 100, PT 24/7 são armas. É bem melhor falar "G36" do que "Fuzil Heckler & Koch 5.56x45mm Gewehr 36" até porque existem variantes G36, G36V, G36K, G36KV, G36C, MG36 e MG36E. Se liga, aluno!

S1, VIP, S2 são viaturas em comboio e o mundo inteiro fala assim. Ah, policial não anda em carro, ok? Anda em viatura.
 
X9 é um informante, também pode ser um "dedo duro" ou um traidor. Depende de que lado você está. Já sabia, né? Só que eu não.

O calendário gregoriano também sofre alterações na Academia. Se um aluno pergunta para o outro "Que dia é hoje?" e este responde que hoje é "D menos 30" ou "30 fora" isso significa que faltam 30 dias para o final do curso.
 
Ás vezes, prefere-se utilizar o alfabeto fonético internacional (Alpha, Bravo, Charlie, Delta...). Assim, a letra "D" vira Delta. PM vira Papa Mike (Policial Militar), Papa Charlie (Policial Civil), Alpha Papa Fox (Agente de Polícia Federal). Você aprenderá rápido!
Normalmente, as turmas são nomeadas oficialmente por ordem alfabética, mas é claro que os apelidos são férteis. "Turma Garra" para a Turma G; "Muralha" para a Turma M; Mas os professores também se utilizam da letra para identificar as turmas "problemáticas" tipo, Turma A de "Amadora", Turma B de "Bisonha", Turma C de "Turma Chata", Turma D vira a "Turma Delicada"... e por aí vai. Aí, meus amigos... coitado do(a) Xerife (representante da turma)!
 
O "Código Q" ainda é usado nas comunicações via rádio, câmbio, mas ganha adaptações, câmbio. QRF não existe no "Código Q" oficial, mas pra nós era "Refeição". QRU ("tem algo pra mim?") vira "encontro com o(a) amante". "Alpha 2" também significa amante. E, abre o olho amiga, se seu namorado policial tiver no celular, o indicativo "sobreaviso" isso também significa amante. Câmbio final, nele!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mais moderno.

 
 
Chegou um novinho de sorriso doce e olhos tristes aqui no meu setor. Vindo lá de onde o vento faz a curva. Ao ouvir as perguntas sonhadoras dele, aproveitei, por alguns minutinhos, pra representar o papel de  "antigona". Interessado, ele queria saber tudo com voracidade. Me peguei dando conselhos serenos a ele, com aquele ar de quem quer passar uma sabedoria calma, que alerta para os perigos . Foi então que percebi que não sou mais uma novinha. O tempo passa e eu aprendo, aprendo, aprendo e coleciono experiências que escrevem minha história. O que pra quem tá chegando já é muita coisa. Olho para as dificuldades que temos de enfrentar todos os dias sem deixar que elas queimem meus olhos. Resgato lá no fundo alguma coragem e sigo em frente com fé em Deus.  Nessa estrada, cresci bastante como pessoa, ardi em desafios e aplaquei obstáculos teimosos.  Esqueci o que é ficar esperando uma tempestade passar. Quero estar acesa na chuva cumprindo a missão, mesmo quando sinto medo ou aquela dorzinha na alma. Dor de humanidade? Com a chegada desse novinho, fiquei grávida de uma nova responsabilidade. E falando assim, me sinto até mais forte. Tanto. Só porque sinto sangue novo e vivo entrando nas veias. Seja muito bem-vindo, novinho.
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Quatro anos do Blog Mulher na Polícia.

video

Galera, presta atenção na letra e esquece o mico de aniversário, porque os policiais desafinados também têm um coração (risos).

De janeiro a janeiro
(Roberta Campos)

"Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar".

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Basta querer.

 
Tenho tido experiências que me fazem acreditar que dá pra fazer. Que dá pra mudar. Basta querer. Talvez o que eu faça não seja muito, mas é o que está ao meu alcance e é o que vou fazer. É pra isso que estou aqui e essa é a minha contribuição. É o que dá pra mudar agora. E embora o cenário seja parecido com aquele da Zumbilândia, aqui a-gente está fazendo. Aqui, graças a Deus, a-gente tem conquistado respeito e feito esse distintivo brilhar mais forte ainda.
 
Após o incidente com o procurador, não consegui pegar nada que se referisse a uma suposta corrupção no setor. Nada. Nem quero pegar pra falar a verdade. Mas aquilo me deu uma certa moral perante os terceirizados. Eles me respeitam, confiam. E eu tenho explorado isso.
 
Primeiro, tomamos providências para que os procuradores e o público em geral só tenham contato com os policiais (isolamos os terceirizados), o que me fez sentir bem mais tranquila e deixou a Dama de Ferro extremamente satisfeita.
 
Segundo, chamei pra mim o controle da produtividade dos meus terceirizados e percebi que havia um certo acordo malandro entre eles para que a produção não fosse tanta assim, o que evitaria um possível e consequente alargamento das metas diárias. É mole? E é porque a galera jura que precisa desse emprego... Eles preferem ter tempo livre pra bater papo, pra ficar na Internet, fazer trabalhos da faculdade, estudar pra concurso e passear pelos sites de relacionamento.
 
Eu até poderia fazer vista grossa se a papelada aqui estivesse em dia... mas quem não fica indignado vendo uma mesa cheia de trabalho por fazer e a terceirizada O DIA TODO marcando encontro para encontrar o "Par Perfeito" dela em sites de... né? Essa não teve jeito, foi devolvida para a empresa. Agora, passei a divulgar abertamente com gráficos a produtividade individual e, claro, a premiar os mais produtivos.
 
Resultados: 
 
1- Conseguimos organizar as demandas por ordem de chegada (o que me respalda contra qualquer tentativa de advocacia administrativa, tráfico de influência e essa coisa toda) e toda a papelada atrasada já está zerada, o que diminuiu sensivelmente o número de telefonemas externos (reclamações de contribuintes) que precisávamos parar o serviço para atender. Agora, gente, o trabalho aqui está em dia! Aleluia!
 
2 - Olhando os gráficos que fizemos, a Delegada Conterrânea resolveu me passar a incumbência de preparar as estatísticas de toda a Divisão. E isso, meus prezados amigos, é o que você ganha por tentar desenvolver um bom trabalho: mais trabalho. Lerê, lerê...

sábado, 30 de novembro de 2013

Na trave.

 
Olha... eu não tenho mais saco pra ouvir você reclamando que a polícia não tem carro blindado. Eu já sei que não tem e que deveria ter. Eu já sei. O que eu não entendo é porque, então, que você sai pra operação sem colete à prova de balas, já que, né?
 
Você arrota que nenhum ser humano é capaz de operar "inteiro" após doze horas de serviço ininterrupto. Claro que não é. Mas acontece. Eu, porém, te garanto que esse teu precário preparo físico, meu amigo, não te dá autonomia nem de duas horas de serviço ininterrupto.
 
Você reclama que as viaturas policiais não têm computadores interligados aos sistemas de informação pra você fazer consultas de emergência na rua e  blá, blá, blá, mas peraí... você perdeu o prazo de recadastramento da senha do INFOSEG?
 
Você reclama que a Administração não te paga horas extras de trabalho, mas vejo que você jamais reclama de ficar horas e horas na seção olhando as redes sociais da internet ou fazendo negócios particulares no telefone da Administração.
 
Meu querido, você reclama da falta de equipamentos necessários na polícia. Falta equipamento, mesmo. Mas eu já vi você sair pra diligências desarmado, aliás, nem lanterna tática você tem... Meu fi... nem o cinto de segurança da viatura... você usa!
 
Me dá nos nervos quando você reclama que não se sente valorizado pelo seu tempo de serviço. Ora é notório que você só quer trabalhar nos "grandes eventos", seu fanfarrão. Você não se qualifica, não quer fazer um curso, não quer botar a cara pra bater... e quer andar na janelinha?
 
Agora você reclama do planejamento "mal feito", mas você estava lá no briefing e ficou o tempo todo calado, emburrado, mal humorado. O Coordenador perguntou se alguém tinha sugestões, se o pessoal mais experiente gostaria de fazer alguma colocação... você ficou ca-la-do.
 
Já sei... você quer saber quem sou eu pra te criticar, né? Eu sou uma novinha que ainda nem sabe direito se fica na polícia. Não tenho nem de longe a experiência que você tem, mas tenho naturalmente te observado, afinal você é mais antigo, e foi essa a dica que me ensinaram na Academia. Mas, pra mim, são pessoas como você que estão acabando com este órgão. Você não me representa; você não me inspira; você não é, pra mim, um referencial.
 
Posso te dar uma simples sugestão? Primeiro, tire a trave do seu olho pra depois tentar tirar o cisco do olho do seu irmão, ô palhaço.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Corruptus non olet.


Você acha mesmo que o corruptor tem escrito na testa "Estou tentanto te corromper"? Tem não. Na droga da testa do corruptor não tem NADA escrito. Absolutamente nada. Nem cara de corruptor ele tem, sabia? Nem jeito... Esse filho do demo do corruptor não tem cheiro de corruptor nem de enxofre.

Acho que nessa semana um procurador tentou me corromper. No meu trabalho, eventualmente libero documentos para as pessoas. Às vezes faltam requisitos legais e alguém toma altos prejuízos financeiros pela falta do papel. O Brasil é muito criticado mundialmente por tanta complicação e burocracia pra resolver coisas simples. Eu tento ajudar arduamente, na medida do possível, mas tenho muito poder (e motivos fundamentados legal e socialmente) para dizer "não".
 
Um desses procuradores que as pessoas contratam pra viajar e resolver coisas em órgãos públicos, deixou ou "esqueceu" um pacote pardo, do tamanho de uma caixa de perfume em cima da minha mesa e saiu. Não era um perfume e não estava envolto em papel de presente. Não sei se foi no momento em que ele conversava comigo ou se foi numa hora que eu precisei sair da sala. Só sei que vejo sempre ele aqui nos corredores.
 
Quando voltei pra mesa, sempre com mil e uma coisas na cabeça, percebi o pacote. Perguntei pra galera quem tinha deixado aquilo lá e ninguém tinha noção. Tem umas trinta pessoas na minha sala e ninguém soube explicar? Vai pro raio que o parta, né? Uma luzinha amarela de alerta piscou na minha cabeça feito um rotolight e uma setinha vermelho intermitente acusava o procurador! 
 
Peguei o volume e fui atrás dele no corredor. Senti uma movimentação estranha na sala. What the hell is going on? Uma das contratadas quis me dizer alguma coisa mas não disse. Algo no sentido de "deixa disso". Mas não. Ótimo, pois eu... não queria ouvir.
 
Bom, encontrei o procurador no corredor e entre dar logo voz de prisão em flagrante pra ele e investigar se era mesmo o que eu estava pensando. Optei por mandar um recado, um spam(talho) pra geral. Cheguei pra ele com o embrulho na mão, diante de olhares curiosos dos terceirizados da minha sala e disse: "o senhor esqueceu isso na minha mesa". Ele concordou sem graça tentando ser educado e levou o embrulho (se era pra ele entender, entendeu, porque ele deu aquela gaguejada. Sabe aquela amarelada beeeem característica?).

Cara... pra você pode ser tudo muito óbvio... mas eu tenho dúvidas. E se não fosse nada disso? E se fosse um bolinho de rolo que a avozinha dele mandou pra mim? Hein? E se fosse um pedido  de casamento? Ramás saberemos! Mas tem uma coisa. Se acontecer de novo, eu vou mandar esse capeta desgraçado pro inferno!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Doeu.




- "Elas são policiais mas são legais".

Frase que a amiga da minha colega falou pra sobrinha dela de poucos aninhos e riu.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O casamento da minha melhor amiga.


Há situações na vida que fazem a gente se sentir um artista de picadeiro. "Senhoras e senhores, uma salva de palmas pra Novinha! Ela acaba de perder sua melhor amiga por causa de um amante dela" (da amiga, hein!).

Onde já civil... Arrisquei a amizade de uma vida (ou talvez uma vida de amizade, sei lá!) pra salvar um casamento e consegui! Marido e mulher fizeram as pazes, estão se entendendo sozinhos, como tem que ser. Os filhos agradecem. De nada. Porém, nenhum dos dois quer mais falar comigo. Ok, ok! Não está mais aqui quem só falou a verdade! Adiós, amiga... Em frente.

(Sou do tipo de pessoa que nessas horas pensa seriamente se não deveria ter investido meu precioso tempo no amante. Ops!)
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ninguém é insubstituível.


Além de elogios e do reconhecimento institucional, existem sim, muitas outras formas bem mais sutis, mas não menos importantes, de você se sentir verdadeira e excitantemente prestigiado na polícia.
 
Já tinha ouvido o nome dela ser pronunciado várias vezes por outros colegas da polícia. São essas interligações cognitivas positivas que dão sentido racional ao termo "policial de renome" que ela é. Antigona, daquelas que fazem parte da escola de policiais que, apesar de tudo, escrevem em caligrafia impressionantemente artística sua história na polícia. No mesmo nível do Jack Bauer, do Roger Murtaugh, da Cigana, ela tem lugar de honra na minha Galeria de Heróis Policiais Vivos. 
 
Casada com um também respeitável colega da minha gloriosa polícia (o marido dela é outra lenda!). Têm filhos. É atiradora de elite em várias modalidades de tiro. Pra você ter uma noção, ela é tão especial que dá aulas na Academia, mas só em cursos selecionados para quem já é policial especializado. Dá aula pra novinho não, entendeu? Tudo na vida dela parece que foi simbioticamente selecionado. E mais: ela tem aquela cara metafórica de "decifra-me.ou.te.devoro". Esse equilíbrio poético que ela vive me inspira melancolicamente, me estimula a querer crescer. Quero muitomuitomuito ser igualzinho a ela quando crescer.
 
Tivemos uma conversinha rápida por esses dias. Além de linda, notei nela uma simpatia singular! Mas o melhor de tudo é que, pra minha surpresa, é ela quem está me substituindo lá no setor onde eu trabalhava antes. Ou seja, sem chance de eu voltar pra lá quando terminar esse meu período temporário aqui. Mas te juro que não tive o menor problema com isso. Fiquei feliz. Fiquei sim!
 
Segue a tríade do meu pensamento dissertativo em prol dos motivos que me restam para rir da minha própria tragédia, drama's.queen.
 
Primeiro porque aquele lugar é "peruado". Muitos colegas homens queriam trabalhar lá. Mesmo assim, colocaram outra mulher no meu lugar (Às vezes passava pela minha cabeça que eu só estava lá por um capricho do Roger. Porque soube que se a equipe fosse do Jack, nenhuma mulher teria a menor chance - por puro machismo, óbvio!) Se eu tivesse pisado na bola, a minha saída seria uma oportunidade para generalizarem e defenderem que ali não é lugar pra mulherzinha. Só que não. Mesmo que o Roger já esteja aposentado, o chefe atual manteve a ideia de ter pelo menos uma mulher entre os oito.

(Roger recebeu uma senhora proposta na iniciativa privada, e se aposentou enquanto eu estava fazendo aquele curso com os militares).
 
Segundo porque se ela está lá, aquela função é realmente estratégica, é política. Ou seja, não é pra quem quer é pra quem não vai atrapalhar o que já foi conquistado. Pelo fato de ela ter sido designada pra trabalhar lá, eu posso te garantir que a função está sendo muito valorizada. Pode crer.
 
Terceiro, se ela foi pra lá, pelo menos teórica e metafisicamente falando, é pra dar continuidade ao que eu vinha fazendo, certo? (risos e ataques histéricos de euforia).

Conclusão: caraca, moleque... isso pra mim é a glória.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Madrinha de casamento.

 
Vou todos os meses à minha cidade pra me consultar com meu médico (que na verdade é o médico da minha família). Estou gastando horrores por não ter conseguido encontrar um médico da minha confiança nesta cidade, mas em contrapartida, tenho tido mais oportunidades de rever meus amigos antigos. Era pra ser uma vantagem.
 
Só que, numa dessas viagens, uma grande amiga minha me contou que tinha recém traído o marido. Por que ela me contou isso? Porque somos confidentes, temos essa mania adolescente de confessamos mutuamente os nossos piores segredos. Por quê? Porque nos conhecemos bem, ao ponto de sabermos que por pior que tenha sido o deslize cometido, não haverá julgamentos, nem apedrejamentos, nem lições hipócritas de moral. Ou seja, ela não esperava que eu fosse tomar as dores do marido dela que também é meu amigo.
 
Dei corda, perguntei como isso aconteceu e ela se esqueceu de que estava, até então, fazendo o gênero arrependida.perdida.e.sem.saber.o.que.fazer. Me contou uma história muito de cinema. Lembrou-se até da trilha sonora que era a música da Adriana Calcanhoto que rolava no apartamento do cara, quando ela decidiu ficar com ele naquela tarde... Aquele momento em que você entende que sua amiga foi abduzida para o mundo fantástico da ilusão.
 
Preciso avisar que sou dessas que ficam querendo tomar as rédeas da vida da pessoa quando vejo a vaca indo para o brejo... Podia ter dito pra ela refletir um pouco sobre suas ações; podia ter dito pra ela procurar ajuda psicológica; podia ter dito pra ela se proteger... Só que não. O que eu disse foi: "Liga pra esse cara agora e termina essa palhaçada. Não vou sair daqui enquanto você não acabar com isso". Eu sei, eu sei, eu sei, mas oi! Eu fui madrinha desse casamento. Ela? Riu da minha reação, né, e inventou uma desculpa qualquer pra não ligar naquela hora, reconhecendo que isso era uma loucura e prometendo que poria, sim, ~depois~, um fim nessa história. Não sei dizer porque eu achei que tava com essa moral toda, mas foi meio que  mais forte do que eu.

Daí que me deu um medo danado, uma indignação esquisita e uma vontade de falar: "ô minha filha... Você tá casada porque quis". Ah, gente, pôxa... não tem dor pior do que traição, tem? Mas me lembrei de que ela sabe exatamente como é a dor de ser traída, porque foi o marido dela quem traiu primeiro. Deixei quieto. Porque ela sabe como é essa dor de ser traída. Foi o marido dela quem traiu primeiro.
 
Cara, enfim. Estou contando essa história apenas pra dizer que além de estar atolada em serviço até a tampa, ainda preciso parar tudo o que estou fazendo pra atender o marido dela, meu amigo, que me telefona chorando várias vezes durante o expediente, se contorcendo em desespero, angústia e dor. Ela mesma contou pra ele.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Quem é o inimigo?




A Dama de Ferro me chamou na sala dela pra dizer pra eu me instalar logo na sala do barulho. Prefiro ficar na sala da delegada que eu estava substituindo porque ali é bem mais tranquilo pra trabalhar. Se já estou assumindo duas funções será que pelo menos minha sala eu posso escolher? Não. Porque o problema é outro. Ela desconfia dos terceirizados e quer que eu faça uma espécie de vigilância/auditoria naquele setor. Pelas barbas de Judas, Batman!
 
Sem querer questionar as habilidades em Análise Comportamental da minha Delegada-Chefe, mas sinceramente não sei se o que ela me falou faz algum sentido. Pra mim, ela tem preconceito econômico com a galera que ganha mal no nosso setor. Só isso. Até porque não existe nada acontecendo de concreto. Não que a equipe de policiais saiba. Mas é forçoso admitir que desconfio que meu desconfiômetro apresenta defeito de fábrica. Posso muito bem estar sendo iludida pelo meu lado paternalista (maternalista, no caso), que faz com que eu sempre me identifique com os menos favorecidos.
 
Nem sei, mas é prudente alertá-los de que tem coisas que acontecem bem na minha frente e eu pateticamente sou a última a saber. É sério! Uma colega que eventualmente me dá carona para o curso que estou fazendo à noite acabou de me dar uma senhora cantada gay e eu nunca imaginava que essa mulher fosse... enfim. Só faltou ela desenhar pra eu poder entender que ela estava me cantando, rosários bentos! Eu sou uma pata completamente sonsa, meu pai tinha razão. Na Academia eu apostava todas as minhas fichas que determinado colega era completamente gay, mas depois eu soube que ele saía desde o início do curso com uma colega casada do meu alojamento! Ou seja.
 
Mas por outro lado, se eu tivesse que montar uma vigilância em cima de alguém nesta divisão seria no alto escalão, haja vista que uma dormia com o inimigo; e outra tem graves antecedentes na Corregedoria. Isso é o que eu chamo de pressupostos concretos do imperativo categórico kantiano e fundadas suspeitas para uma investigação nesse sentido. Mas não estou afim de fazer isso, não. Tem setores na polícia cuja função é exatamente essa. Só quero provar que, preconceito por preconceito, sou mais os meus! De qualquer forma, já pedi mesa, cadeira e acessórios apropriados pra me mudar pra sala dos terceirizados. Vou ficar lá e deixar a Delegada-Chefe com a sensação de controle que ela precisa ter. Vamos ver até onde ela vai com essa história.
 
Queria tanto viver a irresponsabilidade de ser casual, mas é complicado trabalhar com essa desconfiança toda. Leio tudo nos mínimos detalhes e não assino nada antes de entender a verdadeira motivação de cada documento. Não posso errar, pois qualquer descuido poderá ser usado contra mim, caso eu descubra mais do que desejo. Já tenho certeza disso.

sábado, 28 de setembro de 2013

Amo você.


Você é um menino no corpo de um homem descalço, e eu morro de rir das suas manias bobas. De você me cobrir com edredom,  num ritual largo, quando está quente. Às vezes, não posso fazer nada porque já estou dormindo. Então acordo de madrugada com vontade de jogar aquele edredom pela janela do quarto. Janela essa que você adora esquecer aberta quando estou com frio.

Gosto de perceber como você fica feliz quando eu estou feliz. E me sinto pesada quando sei que você está triste porque eu estou triste. Aí o jeito é dar um jeito de ficar bem pra você ficar bem. Logo, você me faz bem, porque eu preciso estar bem pra você ficar bem.
 
Gosto quando você está deitado de lado na cama e eu fico olhando para as suas costas gigantes em forma de montanha russa, que começa lá em cima na linha do ombro e desce perigosamente até o vale da cintura. Eu fico torcendo pra você virar para o meu lado, porque não tenho coragem de perturbar seu sono. Espero, ansiosamente, com todo o meu corpo, que alguma parte da sua pele encoste em mim. Combina demais com o meu sono o seu nariz respirando poesias no meu pescoço.
 
Eu gosto quando me levanto da cama devagar pra não te acordar, mas você percebe e reage assustado como se tivesse me deixando escapar. Até parece... Então você me chama pra cama de novo dizendo que precisa me falar uma coisa muito importante, como se eu já não tivesse manjado há séculos essa sua estratégia engraçadinha.
 
Eu gosto quando é você quem está dirigindo. Eu digo que você dirige mal e você briga comigo. Depois passa a marcha e descansa sua mão enorme, displicentemente perdida na minha perna. É uma rasteira sutil no meu equilíbrio. Eu sempre coloco minha mão em cima da sua pra prorrogar o momento até chegar a próxima redução de marcha, num círculo vicioso.
 
Posso ficar horas explicando porque gosto de você mas você não acredita. É porque você é bobo demais. Mas eu não me importo. Não precisa pedir desculpas porque eu gosto disso também: você é bobo demais!

domingo, 15 de setembro de 2013

Arrogância.

  
Na semana passada ouvi de relance uma conversa de corredor entre a Dama de Ferro e uma funcionária terceirizada sobre meu destino. Ambas estavam quase em frente à minha porta e a moça precisava da decisão da chefona sobre se eu assumiria ou não a função do Agente que estava na iminência de deixar aquele setor, ou se eu continuaria fazendo o trabalho da Delegada que saiu de férias e não voltou mais porque foi movimentada para outra cidade. De que jeito ela conseguiu essa proeza, jamais saberemos.
 
Foi engraçado. A Dama de Ferro respondeu solenemente com aquele ar autoritário, marca fiel da personalidade empinadinha dela: "A Novinha vai acumular as duas funções". Neste momento o olhar dela me achou lá no fundo da sala (medo) e por fim, complementou, sorrindo igual à Mortícia Addams: "A Delegada Conterrânea da Novinha disse que ela é inteligente".
 
Três perguntas:
 
1 - Será que este ser arrogante achava que eu não era inteligente porque vim da área operacional?
 
Se eu quisesse tratá-la reciprocamente com a arrogância que julgo ser-lhe compatível, dir-lhe-ia que a expressão "agente inteligente" é uma redundância, mas como sou super-humilde (super-mentira), fui direto para a segunda pergunta:
 
2 - De onde minha conterrânea tirou essa conclusão a meu respeito?
 
Questão que pode ser respondida com uma terceira pergunta:
 
3 - Afinal, que tipo de vida inteligente deste planeta aceitaria trabalhar por dois, ganhando o salário de um?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Intimidade.


Limpeza de primeiro escalão é para os fracos.