terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Que fase é essa, minha gente?



Às vezes sinto que a minha carreira policial está muito acelerada. Essa história de eu chefiar operações... Sou nova demais, amigos, muito inexperiente pra esse tipo de coisa. Aí, hoje, fiz as contas e descobri que tenho sete convites recém recebidos: três são pra trabalhar fora da polícia, os outros quatro são pra trabalhar em áreas mais ou menos interessantes aqui dentro mesmo. E eu procurando as câmeras pra ver se não era nenhuma pegadinha.

Estranho, pois são coisas que só vejo acontecer com policiais que estão no final de carreira. Roger Murtaugh saiu da Polícia por conta de um convite. Jack Bauer e o Guerreiro idem e vários outros colegas que trabalhavam com o Jack.  Tentando avaliar direito como isso tudo foi simplesmente acontecendo... Incapaz de entender. De qualquer forma sinto-me feliz por ver meu nome na mesma frase que qualquer um desses outros policiais acima citados.

Espera, na verdade eu não deveria considerar aquele primeiro convite simpático que cruzou meu caminho. Aquele pra trabalhar no exterior, porque né. Ninguém falou mais nada sobre o assunto. Embora eu tenha ficado super empolgada, sinto que não vai dar em nada mesmo.

Também não deveria levar em conta aquele convite pra voltar pra delegacia onde tudo começou. É porque um chefe novo (muito amigo do Guerreiro) assumiu uma área que sempre me interessou. Mas diante de tantas propostas aquilo já não me interessa mais. Tenho a impressão que voltar pra lá seria regredir na carreira. Mas foi um convite.

Tá, teve também um desses convites que não chegou a ser um convite, porque o pessoal só disse que seria muito interessante se eu trabalhasse com eles, sabe? Não chegaram e disseram exatamente "Vem trabalhar com a gente, Novinha". Mas eu sei que se eu quisesse mesmo trabalhar lá seria legal. Seria muito, muito interessante.

Veja bem, é que também tem esse um outro convite aqui que não vale a pena considerar, porque zero intenções de trabalhar na área burocrática. Agora não! Mesmoooo. Mas vai que amanhã eu pense diferente... Deixa aqui.

E teve também um outro convite que não sei se deveria realmente levar a sério. Sabe por que? Porque o chefão só me chamou porque eu fui fazer uma discreta sondagem com ele sobre um outro convite recebido. "Se eu soubesse que você estava querendo sair do seu setor eu teria chamado você pra trabalhar aqui comigo". Humm. Qual foi o objetivo dele ao dizer isso, amigos?

Mas, chega. Não vou ficar desconsiderando todos os sete convitinhos que recebi, porque independente de qualquer coisa, eu só queria compartilhar que a sensação foi muito boa e isso, por si só já vale a postagem. 

Agora, tem um convite aqui, minha gente, que eu toparia até pra ganhar menos. Sem demagogia! Vamos supor que eu reserve os últimos cinco anos de minha carreira policial pra juntar um dinheiro para minha aposentadoria, porque agora, não vou me preocupar com isso, não. Só consigo pensar que eu quero mesmo é continuar curtindo a vida policial à enésima potência. E lá eu sei que a diversão é garantida.

Se eu passar nos testes, claro.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Minotauro, Teseu e Ariadne



Querido blog, 


Ele é agente, veio de outra cidade pra cumprir missão aqui no meu setor. Não é muito antigo de casa, não, é antigo de idade, mesmo. Os cabelos grisalhos dele e a voz impostada impõem moral por onde passa. E ele passou por várias outras instituições irmãs antes de vir pra cá. Adora contar histórias de quando trabalhava noutra polícia. O problema é que são histórias estúpidas de gente arrogante, preconceituosa, machista, sexista e amarga. Aquelas coisas que os minotauros acham importante deixar claro para as mulheres. Mas ele jura ter algo a dizer pra humanidade. Ele precisa de atenção. Então tá, estou prestando atenção e mantendo a linha editorial educada do blog.

Minotauro foi tenente da Nasa, mas aqui não é a Nasa. Nem a Nasa é a Nasa que ele pinta. E eu sei que não tem tenente na Nasa, mas eu não queria ferir suscetibilidades. Bom, ele pôs na cabeça que a gente tem que padronizar tudo. Poxa, por que que a Nasa tem essa mania de padronizar?! Volta pra Nasa, Minotauro! Tem, sei lá eu, umas 40 instituições americanas pra fazer só o que a minha polícia faz por aqui. São tantas atribuições que algumas não têm nada a ver com trabalho de polícia em si. Aí o tenente chega da Nasa cheinho de preconceitos e acha que tem que padronizar tanto o policial que opera na Tundra Siberiana do Paralelo 30 quanto o que progride nos pântanos equatorianos?

Um dia acho que ele se deu conta de que estava meio ultrapassado. Viu um novinho operando um fuzil que ele não conhecia e parece que não soube lidar bem com isso. Porque se o Tenente veio do mundo da Lua, o novinho serviu no Iraque. Aprendeu a matar com o Rambo, o Shuazeneger. o Teseu. Ele era o Sniper Americano e o Minotauro não sabia sequer acoplar uma luneta no fuzil. 

Posso falar, querido blog?

Policial de verdade, pra mim, é o cara que desenrola a parada e cumpre a missão, simples assim. Se ele assovia, canta, dança, se foi tenente da Nasa ou aluno do Rambo, não me interessa. De pensar que eu achava que esses eram os caras, pois já chegaram prontos na Polícia. Ledo engano. Porque na hora do "vamovê", do "pegapracapá", na hora da "onçabebeágua"... os dois agentes de polícia mega brevetados deixaram muito a desejar... Pois é.

Na mitologia grega, Teseu, super corajoso mas burrão, estaria perdido se não fosse a ideia do fio de Ariadne (mãe do GPS) pra ele conseguir se orientar a fim de sair do labirinto, após matar o terrível Minotauro fortão que só lanchava adolescentes. Entendeu?

O novinho do Iraque deu, como posso explicar? Uma crise nervosa, um medo de não sei quê... e o resultado foi uma lambança. Porque não há nada mais exaustivo do que administrar expectativas alheias, né. Vai entender. Foi dispensado automaticamente de seguir na missão e voltou pra casa apesar de toda a sua brutal expertise de guerra. 

O antigão também foi muito aquém do esperado. Disse que era porque ele estava sem os óculos. Perdeu o prumo, passou vergonha demais, coitado. Disse que seria a última vez que ele participaria desse tipo de missão. Duvido. Ano que vem ele tá aqui de novo. Que venha, pois quem não vai estar aqui ano que vem sou eu, amigos, alçarei vôos mais altos. Agora, sou eu que vou trabalhar fora do ninho! 


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Seis anos blogando.





Hoje vou comemorar os seis anos do "Mulher na Polícia" junto com os futuros novinhos da Polícia Federal!

Obrigada pelo convite!!! 

sábado, 31 de outubro de 2015

Lucidez.


Tem missão que, sinceramente, não vale o que se gastou da sola do seu sapato. É preciso esmagá-la ainda na fase de planejamento, antes que ela roube você de você mesmo. Com o tempo a gente aprende a direcionar melhor nossa intensidade, porque a vontade de agir transborda como jazz e furtivamente te faz escravo dos caprichos de gente manipuladora. Assim, entendemos que essa, afinal, era a nossa grande missão: dizer não ao vazio, que é pra onde vai nossa energia e os gastos públicos com esse tipo de ação. Dormi com o estigma de incompetente, mas acordei com aquela leveza da sensação do dever cumprido. É preciso aprender a sentir o baque da realidade policial no Brasil. Espero que não seja muito tarde. Às vezes demoramos um pouco mais para constatar isso. Talvez você sofra um pouco quando perceber essa clareza. Mas não desista, isso se chama lucidez. Ela brilha na escuridão.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O curso dos israelenses.

Resultado de imagem para guerreiras israelenses

Silenciosamente repreendo a mim mesma, porque meus desafios têm sido cada vez mais audaciosos e sempre tenho medo de descobrir tipo tarde demais que dei um passo maior que minhas pernas.

Os israelenses há muito tempo empregam mulheres nas áreas operacionais do combate, mas senti uma pontada no estômago quando percebi que era só eu de mulher no curso. Parecia operação sigilosa porque ninguém ficou sabendo. O delegado meu chefe conseguiu a vaga dele e me colocou no pacote. Havia só três alunos oriundos da minha polícia, o restante era de outras instituições. 

Foi muito interessante ver como os israelenses fazem o trabalho que eu faço aqui na polícia. São simples e ousados. Nesse curso foram bastante exploradas as ações do operador individualmente. Digo isso debruçada nos parâmetros dos que preferem enfatizar a integração sincronizada de equipes com 10, 15 componentes, sistema em que fui criada, porque os israelenses sabem se virar com apenas um ou dois colegas. Olha, se brincar eles fazem o que têm de fazer até sozinhos, sério mesmo. Acho que isso se deve talvez ao histórico deles em operar na clandestinidade e tal. Meus professores da Academia teriam um ataque se vissem isso, mas estou naquele momento da minha vida profissional em que procuro não depender muito da boa vontade da Administração em prover os meios que preciso pra trabalhar. Prefiro a qualidade à quantidade, professor.

Era um só professor durante todo o curso, cujo semblante era dominado por um ar de confiabilidade. Seu estilo era bem diferente do jeito mais formal dos professores franceses. Muito sério, mas simples e acessível. Sem a ajuda de tradutores, ele deu aula em português sofrido, mas num tom moderado e aprazível. A dedicação e atenção que dispensou a cada aluno da turma suplantou a falta de vocabulário dele.

Pelo fato de eu agora estar trabalhando mais na área de planejamento de operações, caprichei na hora de escrever o trabalho de conclusão do curso. Estudei sim, todos os dias, mas tive muita sorte, porque já tinha operado no cenário que ele escolheu para o prova final. Banaliza-se o conceito de irritar os coleguinhas, quando o único aluno a tirar a nota máxima do curso é uma mulher, né? Então vamos parar por aqui.

(Tem uma equipe nossa trabalhando na missão deles aqui no Brasil. Eles nos disseram que em breve precisariam muito de uma mulher na equipe e nessa hora senti meu coração batendo dentro dos meus ouvidos. Eu seria muito louca ao ponto de topar trabalhar com eles, sim).

sábado, 22 de agosto de 2015

Petulância.



Com tantas cidades no mapa, eu vim parar nesta. E com tantas operações rolando, eu vim trabalhar justo nesta. E com tantos colegas mais indicados que eu para escalarem, vim a ser chefe da melhor missão da minha vida.

Para pessoas normais, só havia uma vantagem em ser chefe: eu não precisava ficar na fila pra ser entrevistada pelo pessoal da coordenação. E a fila era grande, porque a missão era grande. Eles queriam saber quem tinha melhores condições de trabalhar onde, mas já me conheciam. Era a terceira vez que eu cumpria missão nessa cidade. Olha, sei pouca coisa sobre sistemas de informação de pessoal, mas evidentemente o nosso não serve pra nada. Sucesso.

Mas pra mim, ser chefe era a chance de fazer diferente, corrigindo os erros que plotei em todas as outras missões que trabalhei. Eu acho que é esse tipo de petulância que oxigena a polícia. Pelo menos tem algum novato tentando fazer melhor, concorda?

Nem todos concordam.

O primeiro momento tenso foi durante os reconhecimentos quando um dos antigões da minha equipe, o qual me olhava furtivamente, insinuou que eu tava exagerando. Ouvi, mas com todo respeito, continuei na mesma toada. Nesse tipo de operação eu tenho mais experiência que você, antigão, pensei.

Me deram 10 colegas pra trabalhar. Não conhecia nenhum deles. Distribuí as funções pelas habilidades que percebi em cada um. Respondi todas as perguntas deles no briefing, com fotos e informações precisas de tempo, distâncias, horários, nomes, motivos, etc. O antigão que não queria dar o braço a torcer, disse pra eu não me preocupar que tudo dá certo no final. Não sei se ele tá sendo otimista ou quer me provocar. Nem sempre dá tudo certo no final. E, hellooooo, meu papel é justamente não deixar nada dar errado.

O segundo momento de tensão como sempre acontece, foi "a aproximação" e isso era comigo. O cliente entrou comigo no elevador. Ele é bem agradável e elegante. Fez um elogio que mexeu profundamente com minha concepção do papel da mulher na polícia. Mas esse não é o tipo de elogio que a gente conta para os coordenadores da operação. Não vai constar nos meus assentamentos funcionais. Deixa quieto.

O terceiro momento crítico  se deu porque uma colega da equipe apontou um problema que eu não tava muito querendo ver. Tínhamos um elo fraco na equipe. É por isso que é difícil ser chefe. Quero muito o tutorial pra lidar com colega deslumbrado com o glamour desse tipo de operação. Pedi a ela apenas pra monitorar isso pra mim. Ela entendeu e colou no problema, neutralizando-o até o final. Acabei de conhecê-la e ela já se tornou minha melhor amiga na polícia.

O restante da operação fluiu muito bem. Com muito jogo de cintura, todos os nossos parceiros de outros órgãos e instituições corresponderam à altura, exceto um, que me deu um sonoro e áspero "não", quando eu pedi uma mãozinha, deixando claro que nossas linhas de raciocínio e prioridades são absolutamente incompatíveis. Mas tudo bem, porque o antigão estava certo, eu tava mesmo exagerando. Com isso, aprendi que, uns se expõem demais e desnecessariamente. Outros não querem se expor de jeito nenhum. Ok, porque eu não sei ainda onde começa um e termina o outro.

Foi, com toda certeza, a missão mais arriscada dessa minha vidinha policial. Um verdadeiro campo minado. Apesar de ter tido tanto pra dar errado, deu tudo certo e terminamos a missão com muita pompa, triunfo e Champagne na cobertura de um dos hotéis mais luxuosos da cidade.

Tenho uma forte sensação de que Deus manda anjos de "Operações Especiais" para protegerem os meus pés de pisarem nos lugares errados. Só pode! Valeu, meu Pai!

Ps.: nessa missão, recebi um convite muito interessante para trabalhar fora do país e da polícia. Pensando muito sobre isso. Bora ver se rola?

domingo, 12 de julho de 2015

Os professores.


Sonhei que eu dava aulas na Academia e no sonho eu era mais nova de casa ainda do que sou agora. Esse detalhe não foi ocultado pra provar pra vida que quem determina o nível do ridículo nesse blog, soy yo.

Olha, se aluno já pensa que é muita coisa, imagina os professores. Nas solenidades da Academia, os professores ficam destacados em áreas especiais. Os alunos sempre chegam mais cedo e os observam se aproximando aos poucos, se cumprimentando e tomando seu lugar no dispositivo.

Nos cursos de formação profissional, o professor é sempre chamado de senhor e quando entra em sala de aula, toda a turma fica em pé ao comando do xerife. Antes da primeira aula, o professor é apresentado à turma com a leitura do seu currículo. E essa é uma das partes que eu acho mais interessante, a história da vida do cara, seus cursos, locais de lotação, menções honrosas.

Adorava também quando o professor contava uma história sua pra ilustrar alguma aplicação do ensino proposto. Até quem tá cochilando acorda e chovem perguntas! Até hoje, o que melhor consigo lembrar dos professores que me deram aula, são pelos "causos" que contaram. Tinha uma professora que eu não lembro mais o nome, nem a matéria, mas lembro bem dela contando sobre uma operação divertidíssima em que trabalhou fazendo exatamente o que eu faço hoje.

Mas já percebi que, infelizmente, rola muita vaidade, como em todo meio acadêmico. E onde rola vaidade, rola muita coisa que a tia do jardim de infância já dizia ser muito feia. Virou professor? De brinde, vira alvo do recalque dos coleguinhas. Principalmente mulher! Coisa muito triste isso.

Nas aulas de conteúdo mais teórico, que envolve muita legislação e conhecimentos que você tem fácil acesso, digamos assim, é mais tranquilo. Já nas matérias mais operacionais o clima é bem mais tenso. Nessas aulas a gente sempre ouve que "um detalhe esquecido pode ser catastrófico para toda uma operação", que isso ou aquilo "pode custar a vida de alguém". Exagero ou não, nessas matérias sempre vai rolar muita discussão se a técnica proposta se aplica ou não na prática; se não seria mais fácil fazer de outra forma; se a doutrina americana, francesa ou boliviana seria melhor que a nossa e por aí vai.

Imagino que para o professor também não seja fácil, pois mesmo em turmas de curso de formação profissional tem alunos com bagagem adquirida em outras instituições, polícias e forças militares. E sempre tem um iluminado pra questionar: "mas, professor, e se... aqui eu fosse atacado por um... jacaré voador"? Enfim.

E o que dizer dos cursos especializados? Aí é que a vaidade rola mesmo, porque às vezes aparecem umas figuras que se acham e cuja missão da vida é não aceitar orientação de seres "inferiores".  Isso, sim, é o que eu chamo de circo. Palmas para os palhaços.

Li por aí que no Japão os professores são os únicos profissionais que não se curvam ao imperador, porque para os japoneses, numa terra que não há professores, não pode haver imperadores. Aqui é o contrário. 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Archaea.

Arqueas são capazes de viver em ambientes extremos, como vulcões

A archaea (palavra de origem grega, que significa antigo, velho) é a designação de um dos domínios dos seres vivos. São microrganismos unicelulares também conhecidos como arqueobactérias. Algumas espécies de archaeas foram encontradas vivendo em condições ambientais onde normalmente outros grupos de seres vivos não conseguem sobreviver como fontes de água quente, lagos ou mares muito salinos, pântanos e ambientes ricos em gás sulfídrico e com altas temperaturas. 


Se este texto se referisse a bactérias policiais antigonas, explicaria muito da vida policial

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Avenger.


Pra ficar mais simples, entenda apenas que saí da "sala do papel" para trabalhar na "sala da justiça", ok?  

Daí que imaginava eu ser a sala de justiça simplesmente o cérebro da minha área operacional, onde um colegiado de super-heróis-super-amigos decidiam o destino da humanidade numa sala cheia de telas e informações. Tenho tendências ao pensamento juvenil e ninguém se surpreende mais com isso, né? 

Mas sabe quando você, policial que realmente opera, chega na situação e pergunta: "Mas quem mandou essa viatura pra cá?" ou "Quem foi o gênio que determinou que entrássemos por aqui e não por ali?", então... seus problemas acabaram. Agora, eu sou o gênio dessa lamparina. Sou eu que vou mе vingar planejar e dar nome para as próximas operações.

- Ué, Novinha, não seria um grupo colegiado de super-heróis-super-amigos das galáxias???

Seria, mas descobri que o "grupo colegiado" somos apenas eu (mezzo novinha) e um delegado (pausa dramática pra chorar) que é com-ple-ta-meeen-te leigo no assunto, gente. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

"40 tons de punição"


Peguei meu pedreiro, em flagrante, me roubando. 

Foi assim: vendi meu apartamento, comprei um lote, escolhi uma planta com um engenheiro legal e contratei o pedreiro. Poié... esse cara, o pedreiro que me indicaram, com mil e uma recomendações, havia atrasado assombrosamente o andamento da minha obra, porque precisava construir, ao mesmo tempo, a casa dele com meu material de construção. Eu disse: "construindo, ao mesmo tempo, a casa dele". Eu disse: "comeu material de construção". Primeiro dei falta de um saco de cimento. Mas porque sou policial, meu bem disse que desconfio de todo mundo. Desconfio mesmo! É a ética da vida, sem sentimentalismos ou utopias, amore. Bem disse o jesuíta Baltasar Gracián: "a confiança é a mãe do descuido". 

Depoieu simplesmente vo pedreiro carregando o meu material pra casa dele

Aí você, baseando-se naquelas milhares de histórias de policiais que ouviu por aí, imagina logo que eu dei voz de prisão em flagrante para o safado, né?

Estudos recentes dão conta de que policiais adoram contar vitórias, principalmente professor de academia de polícia, mas poucos contam as derrotas. A menina super esperta da polícia de Marte que perdeu o cargo por ter grampeado o celular do namorado, jamais se do tipo que fica na boate dando  carteirada de heroína com essa história pra novinho dormir. O antigão policial de Pluo que "puxou arma" pra vendedora da banca de muamba, uma chinesa que lhe vendera mercadoria danificada, levou, sei lá, uns 40 dias de suspensão, mesmo tendo recorrido ao judiciário. Esse extra-terrestre policial não vai escrever um livro sobre os "40 tons de punição" que ele levou. Ocorre que depois da estratégia mal sucedida da "PEC da Impunidade" os delegados humilhados precisam mostrar serviço para o Ministério Público. Se espirrar, saúde, Senhor Corregedor!  

o pergunteo que eu fiz coo pedreiro ladrão.

"Mas você fez o que com o pedreiro ladrão, Novinha espera?"

Nadinha, obrigada. Apenas dei-lhe um sermão do tipo "sabão", entreguei a obra pra Deus e para o meu bem (em amboos sentidos, mesmo). o... nem demitir o pedreiro eu pude, porque mesmo se ele voltasse a me roubar, ainda compensava financeiramente porque  meu prejuízo seria menor. Haja vista que um distinto cavalheiro  que chamo de meu bem já tinha dado um adiantamento robusto para o vagabundo que me recomendaram tão bem. Va-ga-bun-do, sim! 

Achando que fui conivente com um roubo contra minha pessoa. Procede?

Estou contando tudo isso porque mundo precisa saber que pela primeira vez na minha vida... sério mesmo, senti uma forte empatia para coos assassinos frioe calculistas que entraram para a história da humanidade. (Furto famélico porque não é o seu material, meritíssimo!) Eu realmente quis matar esse filho de chocadeira, desgraçado, porque eu passo dias e dias fazendo orçamentos, para o bonitão colocar meu material comprado com meu dinheirinho suado e honesto na casa dele ainda receber poisso? Muita raiva, tanta que não consigo sequer pisar naquela obra mais. Porém, como tudo na vida tem suas consequências, levarei para a terapia essas minhas recém adquiridas fantasias de SNIPER! Sabe aquele cara que atira de longe, com tranquilidade e precisão? Fantasias, né, porque nessa histórieu não sou sniper, sou refém do desgraçado do pedreiro ladrão. 

A propósito,hipoteticamente falando, se alguéestivessentind
refém coessa roubalheira da Petrobrás, não pode chamar THE SNIPERS, pode?