Sistemas Operacionais

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pra quem quer saber.

Na vida real, o clarão da sua arma disparando um tiro é um relâmpago. E o barulho é um trovão. O resto é correria e gritaria no plano de fundo, porque o som principal é o seu coração disparado. Tum-tum, tum-tum, tum-tum...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Preparar...

  • O bonezinho é da polícia australiana de Queensland. Foi presente de um policial com quem trabalhei.
  • O abafador de ruídos e a submetralhadora foram fornecidos pela instituição que promovia o treinamento.
  • O colete foi comprado numa loja de artigos de pescaria, no interior. É uma adaptação funcional, porque era necessário cobrir a arma pequena (Isabella).
  • A blusa de manga cumprida é do Departamento de Polícia de Nova York. É da seção de crianças de uma loja de souvenirs.
  • A calça é a da PRF. Era parte do uniforme dos professores daquele curso no qual fui "instrutora". Foi comprada numa casa de coisinhas militares aqui na cidade onde trabalho.
  • O coldre, as joelheiras (que servem também pra andar de patins), os óculos de proteção e o boot são de uma loja especializada em artigos policiais também em Nova York.
  • O cinto é modinha militar, vendem super barato numa feirinha lá na minha cidade.
  • A munição é de verdade, mas os alvos são de mentirinha (papel e metal). 
  • O olhar é de uma colega que captou essa foto (sem photoshop) durante um treinamento e eu nem vi. Muita adrenalina. Se é assim na escolinha, imagina na vida real.

domingo, 13 de maio de 2012

Servir, proteger e acreditar!


Eu me lembro que o Agente Roger Murtaugh foi meu professor na Academia. É um antigão que esbanja classe. O cara é um gentleman! Além de temperar a aula com comentários perspicazes, ele se vestia impecavelmente bem e foi extremamente educado. Claro que prestei atenção na matéria, mas você sabe, mulher observa tudo e mais alguns detalhes. Estava aqui descaradamente levantando a ficha dele. Caprichoso... Trabalhou em várias áreas interessantes aqui da polícia. Lugares em que não é qualquer um que pode trabalhar, entende? Sei que ele cumpriu muita missão delicada por aí. Eu não vou definir "missões delicadas". Mas saiba que Jack Bauer se preparava para chefiar essa equipe, não tivesse o Zero-Um convocado Roger Murtaugh para emplacar o que me parece ser mais uma de suas desafiantes missões especiais. Porque certas operações têm um forte cunho, digamos, político-motivacional pra nossa Polícia. Jack Bauer não deve ter gostado muito dessa decisão, mas concordou em dar todo suporte ao colega. Agora, o que realmente me impressionou foi que o  Zero-Um deu carta-branca ao Roger para escolher quem ele quisesse pra compor uma equipe fixa só pra trabalhar nisso. E é aqui que eu entro. Estou morrendo de ansiedade enquanto aguardo o trâmite da papelada. O Agente Roger Murtaugh é o meu novo chefe.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Os três mosqueteiros.

Os instrutores do curso dos franceses eram três que chamarei de Athos, Porthos e Aramis e havia um quarto elemento que não era instrutor, apenas cuidava da parte administrativa do curso - o D'artagnan. A abordagem francesa nesta área em que trabalho é bem diferente da nossa. Eles têm um preciosismo impressionante com a forma e a estética do trabalho. Nós não. Somos orgulhosamente marrentos e por isso mesmo tivemos algumas dificuldades.

Nosso pessoal estava muito cético com relação a esses instrutores e sua doutrina.  Os alunos faziam corpo mole nas instruções e os atrasos eram constantes o que irritava bastante o corpo docente. Por outro lado, D'artagnan fazia muita propaganda dos equipamentos que eles tinham trazido o que irritava bastante os alunos. Havia um obstinado interesse comercial que bem poderia ter ficado menos evidente. O clima não estava nada bom. Houve até um princípio de discussão, porque um dos alunos entendeu que Athos, o professor da maior parte das aulas práticas (e o mais metidinho também) estava xingando os alunos em francês... Bom, se xingou não foi comigo. 

Na boa? Sei ser prática quando me convém. Me concentrei o tempo todo no que havia de bom e ignorava o resto. Sabe? Tipo "visão de túnel", fechada no que interessava e pronto. Tava nem aí se a tradutora da embaixada traduzia "paniquer" como "panicar". Na verdade os três mosqueteiros me conquistaram fácil. Primeiro porque eu não tenho a vivência dos mais antigos então qualquer coisa que eu aprender será lucro. Portanto, estava muito bem disposta nas aulas teóricas e práticas. Vibrando e transpirando aquela intensidade de quem não tem tempo a perder. E tava sempre atenta para aprender até nos intervalos, com a humildade pura de quem não sabe nada, mesmo... Eu sou assim naturalmente, burrinha e feliz. Segundo, porque eles faziam estudos de caso mostrando os próprios erros. Isso eu acho muito legal, sincero e raro nesse concurso de vaidades que é a polícia. Você já leu "Os Três Mosqueteiros" de Alexandre Dumás? É uma leitura que recomendo. Mas leia as versões originais, mais grossas, e não esses livrinhos editados para o Jardim da Infância. Se você não sabe, o autor fala bastante em sexo, boemia, traição e bebedeira nesse livro. Realismo.

Ao final os alunos fizeram uma apresentação muito bem elaborada para o Zero-Um da Polícia e ele se mostrou muito satisfeito. "Coisa de cinema", ele disse. E, para nooooooossa alegria e surpresa três alunos do curso (eu, inclusive) foram escolhidos pelos instrutores franceses para fazer a "parte dois" desse curso em Paris, na França. Não sei dizer o quanto fiquei feliz. Não só pelo curso, pela Franca e por ter sido escolhida. Mas porque descobri que parece que levo jeito, ou melhor, tenho pelo menos uma certa afinidade com alguma área nesse vasto campo de trabalho que é a polícia. Mas também pode ser por causa das minhas pernas. Essa foi a explicação que ouvi de um colega lá do setor do Jack Bauer, para o fato de eu ter sido escolhida para fazer esse curso e ele não. Não sei se isso foi uma ofensa, uma cantada ou se ele tem celulite.

É, mas isso também não tem a menor importância, pois nenhum dos alunos selecionados vai fazer curso em Paris, apesar de meus esforços desesperados de colocar o Francês em dia. Porque alguém lá do alto-escalão, um corrrrrrrno filho de chocadeira desalmado, entendeu que fazer curso na França era missão para um delegado novinho que não trabalha na área e não participou de curso algum. Realismo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sobrou pra mim.

A última vez que o fascínio apareceu junto com esse sentimento de impotência eu quase tomei uma punição. Querer acertar é um desejo, não é uma garantia de que tudo vai dar certo. Na hora da decisão é você sozinho e uma angústia que gruda no seu pescoço a te sufocar e  a urgência! Sem treinamento, sem parâmetros, sem modelos, sem alguém que me puxe pelo braço nessas horas e diga “vem comigo que eu sei o caminho!”. Falta ar. Me sinto perdida, tateando, esmurrando no escuro e não encontro a saída. Por isso esse curso significou tanto pra mim.

Que bom pra você que foi trabalhar em áreas inóspitas e aprendeu a fazer de tudo um pouquinho. Muita gente fala isso e estufa o peito “Minha primeira lotação foi no Infeeeeerno, moleque”. Mas sabe que pra mim isso não quer dizer muita coisa? Hum rum, eu sei. É legal fazer clínica geral porque você tem a visão do todo e coisa e tal. Super-master-cool, mas nem levanto as sobrancelhas. Eu admiro mesmo é quem tem pedigree. O Clínica Geral sabe de tudo um pouco, mas sabe quase tudo mal. Concorda? E quando ele não consegue resolver o teu problema ele vai te olhar de forma mais oficial e vai te mandar para o especialista. E eu quero mesmo é resolver o problema. Chega de dúvidas! Eu quero é ter respostas. Quero ter certezas. Quero ter um nome, cujo sobrenome seja minha especialidade. Entendeu? Tipo assim: “Sabe a Márcia da Homicídios?”, ou “Me liga com a Carol da Entorpecentes”. Desculpa tá, mas eu quero ser o Romário que fica na banheira, mata a bola nos peitos, bate pro gol e pronto, está resolvido. Quero fazer vários cursos e  vários gols  na mesma área. Grande área.

Falando assim, dou a impressão de que tenho a vastidão da minha carreira policial toda seriamente traçada, né? Esta sou eu, mentindo pra mim mesma. Porque eu tô é batendo cabeça e atirando pra tudo quanto é lado. Desesperada. Flertando com várias delegacias ao mesmo tempo. Inquieta, me infiltro onde deixam a porta aberta. Sou tipo mulher que se apaixonou pelo amante. Devia estar cuidando da minha “casa”, trabalhando direitinho com aquele meu chefe amargo, que ouve "Yesterday" com Tom Jones. Mas vivo pulando as cercas dessa monotonia geométrica atrás de aventuras. É por isso que gosto de trabalhar com o Jack Bauer. Porque a porta lá sempre se abre milagrosa e irresistivelmente pra mim.

Meu nome não estava na lista de matriculados, obviamente. Porque esse curso é para esses caras que já têm nome na praça. Só que na sexta-feira, o bam-bam-bam de determinada região deu pra trás, sendo que o curso começaria na segunda-feira da semana seguinte. Ligou para o Jack e avisou que não viria porque tal e que não tinha ninguém pra indicar para a vaga dele no curso (Tente achar um servidor público em sua seção numa sexta-feira à tarde. Alguns até “esquecem” o casaco majestoso na cadeira pra dizer que estão na área...) Sem saber de nada eu entro na sala aproveitando a porta aberta pra dizer alguma coisa do serviço que achava que poderia ser importante. O Jack, que já havia feito sinal pra eu entrar com aquele jeito autoritário dele, após colocar o fone no gancho, perguntou sério, como quem não vê nada de cínico nisso: “Quer fazer o curso dos Franceses?”

sábado, 24 de março de 2012

Nem doeu!


Entendi o motivo de ter tanto colega meu que pode estar vendo o circo a delegacia pegar fogo, mas não move uma palha além daquilo que lhe é estritamente exigido. É uma coisa chamada desmotivação. É porque alguém em algum lugar do passado provou pra eles que não vale a pena lutar e fazer a diferença. Aquele famoso espírito de "novinho empreendedor", que deixa no ar aquele hálito de garra e motivação que arde em excitações dentro no peito, deixou-se matar. Aceitam tornar-se profissionais meia-boca, sucumbidos pelo medo de sofrer. Esqueceram-se dos gritos de guerra da Academia, e aceitam viver entre as quatro paredes da acomodação. Desistiram.

É assim que vejo a alma do meu chefe. Talvez eu estivesse um pouco distraída ou talvez seja ele mesmo que se esconde por trás daquela barba grossa e fechada.  Aquela plaqueta que identifica a mesa dele deveria conter a inscrição "Senhor Frustrado". Pelo fato de ele, um agente já da "Classe Especial", estar naquele setor fazendo o que faz, das duas, uma: ou ele apostou errado em algum ponto no passado da carreira dele, achando que ia se dar muito bem... ou ele é mesmo muito incompetente. É difícil trabalhar com um chefe assim, sem se deixar contaminar.

Por isso que eu fujo dele e insisto em trabalhar como reforço noutro setor. Vi que ele se sentiu diminuído quando o Jack me ofereceu a última vaga naquele curso dos Franceses (o povo aqui adora um certificado! Internacional, então...). E o olhar estranhamente frio dele quando precisaram de alguém que falasse outro idioma para aquela missão específica. Eu fui e ele ficou. Consegui entender por que ele se sente tão mal com isso. É porque ele é antigão, deve ter sofrido muito no início da carreira, então ele acha que eu não posso me dar bem porque sou novinha! Pronto, falei. Vocês acham que é fácil pra ele encarar o fato de uma guriazinha com tão pouco tempo de casa ter recebido um elogio escrito de um "Tiranossauro Rex" (chefe de polícia bacanudo)? Elogio esse que veio descendo a longa cadeia alimentar de comando até chegar nele pra depois chegar em mim?

É duro, sim! Aprendi que destacar-se por qualquer coisa boa no serviço público é uma manobra muito arriscada e pode te custar caro. Porque igual a uma cobra sorrateira que surge por atrás da moita (sossega mulherada!), ele esperou o momento exatinho para dar o bote certeiro. E esse momento, no meu caso, chama-se “avaliação de desempenho”. Acho que ele procurou até nos recônditos mais escuros de sua maldade algum item dentre os disponíveis na referida avaliação para me acusar de ter deixado a desejar em alguma área. E achou! Evidentemente não entendi o motivo de ele ter me avaliado a menor naquele item e perguntei: “Mas como? Por acaso eu faltei algum dia ao serviço?” Ele ironicamente respondeu que, de certa forma sim, porque eu trabalhava mais no setor do Jack que no setor dele. Logo, ele não poderia dizer que eu era assídua na "minha" seção...  Olha o naipe do veneno... Aí eu ri, né, argumentando que todas as solicitações de reforço que o Jack faz são devidamente documentadas, respaldadas e fundamentadas e que, em sendo assim, quem deveria fazer a minha avaliação era o Jack. E depois chorei de raiva, porque quem avalia o servidor é o chefe de direito, do setor onde você é lotado a maior parte do período referente à avaliação. E não o meu chefe de fato – Jack Bauer - Entendeu?

Mas que droga de probatóriooooooo!!!!

O que me revolta não é o prejuízo na carreira. Os pontinhos que ele tirou são praticamente insignificantes, tipo um 9,5 sabe? Mas a minha indignação e revolta é porque tem um quilo de APFs (Agentes de Polícia Frustrados) naquela porcaria daquela delegacia que só trabalha mal e quando quer e ele vem tirar ponto meu, que trabalho voluntariamente feito uma burrrrrra de carga, varando noites e tudo mais? Ahtelascá, né?

Espera sentado quem pensa que eu vou puxar saco de alguém pra tirar nota máxima em qualquer tipo de avaliação que supostamente possam fazer por aí. Já falei para o Jack que pra seção do meu chefe "de direito" (absurdo isso!) eu não volto! Se ele não conseguir me remover para o setor dele que me ajude então a ir pra SVU, ou pra qualquer outro lugar, tô aceitando até função de cão farejador! Mas para aquela delegacia, não volto mais! Morro, mas não me entrego!

sábado, 10 de março de 2012

Ninguém disse que seria tão difícil.


Queria reencontrar aquela professora de redação da Caixa e aquele professor de judô do SESI... Ah, e o instrutor de tiro da Academia da Polícia Civil e o professor de educação física da Academia da PM do meu Estado... A lista  é grande das pessoas que me ajudaram naquela fase tensa de preparação para o concurso. Queria que soubessem que reconheço tudo o que fizeram por mim, e queria assegurá-los, queria deixá-los tranqüilos, enfim, queria muito que eles tivessem certeza de que eu não vou decepcioná-los.

Eu não vou decepcionar você. Sei o que você representou nesta minha jornada até aqui. O primeiro empurrãozinho quando eu ainda nem imaginava um dia estar aqui. A tua força constante. Você foi comigo em todas as provas e vibrava com minhas vitórias. Você sempre segurou a onda numa boa. Relevou minha ausência. Me sustentou durante um bom tempo, e fez isso tão naturalmente, como se o fizesse por si mesmo. Sem drama e sem cobranças. Lembra que eu te ligava da Academia, chorando baixinho, morrendo de saudades de dormir com você? E você viajava pra ficar comigo nos finais de semana. Aquilo me fazia tanto bem. Você tem esse dom de fazer meu coração acelerado dormir no compasso certinho. Ok, eu já entendi que meras palavras não vão te convencer disso. Na ventania eu ouço os pensamentos desses teus “amigos” e estremeço. Eu vou insistir, tá? Agora é a minha vez de segurar as pontas e não vai ser fácil. Homem desempregado (estressado e deprimido) em casa, não é fácil. Olha, que se dane o que os outros fazem, falam ou pensam. Eu não vou decepcionar você.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Na própria carne.


 Tá se tornando difícil demais escrever. Mas também posso dizer que tudo não passou de mais um sonho ruim, não posso? Adiante. Noto que a maioria dos policiais escapam de falar sobre certas tristezas com as quais não conseguimos conviver muito bem. Também eu preferiria jamais ter que falar a respeito. Como se ninguém soubesse que isso acontece nas melhores policias. Ocorre que, visto de perto, o estrago parece ser bem maior. Mandado de prisão contra colega é de lascar! E o quê?! Eu fiz uma missão com essa garota e conversamos por um tempão naquela noite. Rimos muito e falamos das dores e delícias de sermos o que somos! E... pra variar, não percebi absolutamente nada! Será que nunca vou me sentir legitimamente policial? As letras estão escurecendo. Quero ficar sozinha e tentar limpar o sangue no olho. Não consigo  enxergar o momento desgraçadamente exato em que uma pessoa desmorona do nível: “policial novinha” para o nível "bandida perigosa e foragida".

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Começa com "F".

Uma agente, vendo uma marquinha de queimadura no braço da outra, pergunta:

- Que foi? Fogão ou ferro de passar roupas?

A outra responde:

- Foi o cano do fuzil.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Mulher na Polícia.


Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta

Nestes dois anos de blogueira policial num país onde inexplicavelmente ainda existe tanta corrupção, miséria, impunidade e violência revoltantes "De uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta" o que mais me surpreende é o carinho que recebo das pessoas que conseguem ler além das imperfeições e presepadas que escrevo aqui. Amigos que conseguem enxergar mais do que até eu mesma queria mostrar.

É muito frustrante não poder corresponder de uma forma mais concreta. Queria muito, muito, muito... poder te dar um longo abraço apertado. Segurar a tua mão por um instante ou só olhar as cores lá dentro dos seus olhos, e aí sim, te agradecer pessoalmente por esse carinho gostoso, por esse afago de alma, por você me permitir falar, trocar, dividir, rir e chorar contigo assim.

Infelizmente não é possível. Mas até que tem suas vantagens, porque trago uma pretensão enorme aqui no peito. A de que você me veja em cada mulher que trabalha na polícia. Que tem desafios muitas vezes bem maiores que os meus, mas que também "merece viver e amar como outra qualquer do planeta". De certa forma isso já acontece. São vários os relatos nesse sentido é só ler os comentários. A Dayne Dantas, por exemplo, viu a foto acima* e se lembrou de mim. Fofa!

Queria que neste Natal você transferisse esse carinho gostoso que tem por mim para alguma policial aí da delegacia mais próxima da sua casa. Vamos, seja corajoso (a) converse com ela e diga-lhe algo que você imagina que eu gostaria de ouvir pessoalmente de um estranho. Incentive-a como você faz comigo! Quem sabe não sou eu mesma! Ahhh, vai... Leve um cartãozinho. Um bombom. Uma rosa. Mulher é mulher independente da profissão. E depois me conta. Porque se vai funcionar eu não sei, porém no mínimo a gente vai dar boas risadas.

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida...**

* Foto de Diego Calvo, gentilmente autorizada a exibição neste blog.
**Letra de Milton Nascimento, Maria Maria.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Polícia Esporte Clube.

Duas colegas das antigas vieram de longe, pes-so-al-men-te e muito interessadas em me convidar para compor uma equipe para um certo campeonato de voleibol... Olha que coisa... Vazou que na época do curso tinha uma aluna batendo uma duplinha nas quadras da Academia e coisa e tal... Era eu, gente... e o vício da bola. (Bom, se o serviço de inteligência da polícia funciona, eu não sei, mas o da mulherada aqui é o Ó). Já fui! E elas gostaram do meu jogo! E eu sou titular no time! E a gente tá indo muito bem, obrigada! E o time sai pra comemorar! E muita gente agora aprendeu meu nome (É, eu tenho um!). Também tenho convites pra treinar atletismo, natação... Palmas para a nossa Associação de Policiais! E é isso... Encontrei a minha "tribo" na polícia!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Special Victims Unit




Fui pra casa e fiquei até altas horas refletindo histericamente naquela sentença do Jack: "uma missão que por suas características só vou poder te passar as informações minutos antes do embarque". Não só porque a ouvi diretamente do Jack Bauer mas porque a missão do dia seguinte tinha certas "características", certas "informações" e um certo "embarque"! Entendeu? Nem eu. Mas foi só isso que ele me disse, porque não podia dizer mais nada. Na minha mente, eu repassava cada palavra enfatizada por um eco que não existia na versão original, mas que tava lá na minha memória. Sei que você, caro leitor, no meu lugar poderia querer saber coisas tais como "Tá, mas pra onde eu vou?" ou "Que tipo de missão seria?", "Aceita débito automático?" ou talvez perguntaria apenas: "O que eu preciso saber?", sei lá, essas coisas normais. Mas a dúvida que mais me atormentava era: "Com que roupa eu vou?".

Preciso confessar uma coisa. Tudo bem que minha experiência nessa área especifica em que trabalho (emprestada para o setor do Jack Bauer) já está se estabelecendo na minha identidade policial. Tudo bem que sinto que o Jack já meio que conta comigo e já me passa missões com mais confiança. Tudo bem que às vezes eu tomo a frente das coisas, porque tem muito policial caindo de para-quedas nesta seção, e eles são bem mais hit parade na polícia do que eu, mas que se enrolam bastante pelas bandas de cá. E tudo bem também que este blog já vai fazer dois anos de vida (U-hu, galera!).  Mas a verdade é que na altura do campeonato eu já esperava ter marcado muitos gols mais. No entanto, ainda me sinto um bebezão desengonçado em muitas situações. Sinal de que humildade deveria ser um pré-requisito de todo candidato a uma vaga na polícia. Se eu tô de sacanagem?! De jeito nenhum! Tô falando seríssimo. E isso é engraçado porque sei que fica realmente difícil você colocar na mesma frase essas duas palavras "humildade policial".

Isso não foi uma missão foi praticamente um curso! Trabalhei com um policial que até então eu não conhecia. Vamos chamá-lo de detÉctive Elliot Stabler. Ele trabalha para um outro setor daqui da polícia que vamos chamar de Special Victims Unit (mas que nem é...) e que me pareceu ser um cara bastante dedicado. Foi uma ótima oportunidade para eu ver como ainda estou crua nessa coisa que é ser "policial de verdade". Digamos que o máximo que eu consegui até agora foi ter-que-agir-de-repente-como-uma-policial. Ai, não vou explicar isso agora, mas são coisas bem diferentes. Lamento informar, mas sinto que falta muito ainda pra eu deixar de ser "novinha". Snif.

Eliot Stabler pediu a ajuda do Jack Bauer talvez porque as suas áreas de trabalho sejam semelhantes, embora a clientela seja totalmente diferente. Ocorre que esta OM (ordem de missão) acabou caindo no meu colo. Detalhe: Nos sonhos de um agente novo na polícia, uma missão especial aparece na sua vida de forma incrível. Os grandes chefes de policia te chamam para atuar porque descobrem que só você teria condições de cumprir aquela missão eficientemente. No meu caso, foi a falta de efetivo mesmo, que nessas horas sempre se torna minha forte aliada na transposição dessa barreira enorme que é a falta de experiência. Deveria ser promovida direto para a Classe Especial já que sou especialista em tapar buracos.

E foi isso que aconteceu. Ou seja, nunca serei, né?! Pois foi só mudar o cenário operacional e eu colei as placas. Não, gente. A missão foi muito legal, toda bonitinha, compartimentada, cool! Não teve glamour como tem, normalmente, nas missões do Jack, pelo simples fato de que era tudo muito sigiloso e escondidinho. Mas tudo bem. Faz parte, porque a coisa poderia complicar caso houvesse vazamento de informações, mas no final deu tudo certo, graças a Deus.

Graças a Deus mesmo, pois  o que me deixou realmente desanimada é que na minha imaginação esse tipo de missão tinha que ser algo mais. Entende? Mais providências, mais planejamento e mais levantamentos feitos com muito mais antecedência. Ah, mas não foi assim, não. Pensei em jogar a culpa na SVU e até desenterrei posteriormente minhas apostilas da Academia pra ver se era aquilo mesmo, e se eles estavam procedendo corretamente. Mas que raio de curso de formação foi esse que eu fiz onde a única coisa escrita que tinha  sobre esse tipo de missão era uma linha solitária dizendo que essa área era da competência da "Special Victims Unit" e ponto final?

Perdoem mas estou começando a achar que esse negócio de querer ser operacional na policia é uma exposição à roubada. É meio desesperador você receber uma missão dessas e não saber nem por onde começar! Comecei imitando o Elliot... né? Ele parecia atuar uns dez tons acima, impressionantemente calmo, o que me fazia pensar que tudo estivesse sob controle (?). Ele deve ter feito esse tipo de missão um milhão de vezes. Logo, fiz mímica dele o tempo inteirinho. Tipo uma sombra dramatúrgica. Uma figuração cênica em nome de um show. Pfff. Se na minha avaliação de desempenho constasse o item "capacidade de iniciativa" eu mereceria um zero bem redondinho... O que prova que uma missão de sucesso não significa exatamente que você fez tudo bem certinho nos mínimos detalhes. Mas, talvez, signifique que você teve sorte de nada de mal ter acontecido. E um beijo para todos os policiais antigões arrogantes e embusteiros do Brasil. Tô ligada, hein!

Além disso, uma outra coisa que pegou pra mim particularmente, foi o clima carregado da missão. Tenso. O ar era muito pesado o tempo todo. A gente estava lidando com efeitos colaterais do sistema. Sabe? Tipo, coisas que não podiam terminar daquele jeito. Eu queria me comprometer com aquela causa, indenizar aquelas pessoas. Fazer alguma coisa. Sei lá o quê exatamente. O máximo que consegui foi uma simbólica despedida que se deu numa intensa e ao mesmo tempo fugaz troca de olhares entre mim e eles, que mesmo sem poder dizer nada disse tudo. Só isso. E cada um de nós seguiu o seu destino. Esse sentimento de impotência é gigante e incomoda demais. Taí uma coisa que me preocupa, oras. Será que eu deveria ter prestado concurso para o Ministério Público? Policial não pode sentir essa ternura, essas sentimentalidades, sob pena de ter seus próprios julgamentos afetados blá, blá, blá, pererê. Mas eu sinto muito.

sábado, 26 de novembro de 2011

Isso é que é agilidade.



Eu, faminta, pergunto:
"Cadê? Não tem nem uma coisinha aqui pra gente comer?"

Meu colega, que não perde uma, responde:
"Pode me chamar de Coisinha".

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vai ser do meu jeito.


Certa vez, fui reprovada numa avaliação psicológica admissional porque enfatizei demais minha vontade de crescer na empresa. A política devagar e miúda daquela instituição não visava o crescimento do profissional. Queriam pessoas conformadas que durassem muito tempo no mesmo cargo. A psicóloga metódica já imaginava minha "inadequação" e, como se já tivesse feito muito, lançou ainda uma pergunta fatal só mesmo para constatar suas suspeitas. E eu caí como uma pata. Mas qualquer coisa que eu falasse diferente disso seria mentir pra ela e pra mim mesma. É claro que fiquei revoltada. Outro "forte" argumento que ela usou para me reprovar é que eu era qualificada demais para o cargo... "Ah, tá". Essas pedradas deixam suas marcas.

Mas esse mundo irônico dá muitas voltas e certos prazeres. Passei um intenso período trabalhando numa missão que envolvia diretamente advinha quem? Exatamente! Um grupo grande de diretores e gerentes da referida empresa. Claro que não! Sequer citei o nome da psicóloga em tela, até porque não tinha mais o menor propósito reconstituir os fatos agora que já passei neste concurso. M'águas passadas. Mas quem sabe o que significavam aquelas alfinetadas terapêuticas que dei na turma da área de pessoal...

Estou contando isso pra dizer que meu "perfil" continua o mesmo. E apesar de ouvir muita besteira de gente babaca que não tem a mínima noção do que está falando, trabalho e vou continuar trabalhando muito para honrar esta camisa que me veste de orgulho, embora essa atitude desagrade a muitos, como vocês devem saber. Esse é o meu jeito. Minha marca. Minha fome de crescer. Não consigo, não quero e não vou ser diferente. É esse o meu compromisso com o Brasil.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A língua dos homens.



Definitivamente, estou convencida da importância da discrição na vida da gente. Isso inclui o que dizemos por aí. Se em falar o que é preciso já há riscos como o de falar demais ou ser mal interpretado, que dirá falar quando não convém. É deveras estúpido, por exemplo, o comportamento da pessoa que acha que porque está falando em outro idioma ninguém está entendendo nada da conversa. Lamento informar-lhes, hermanos, mas sou policial, entendi exatamente o que vocês conversavam entre si e peixe argentino também morre pela boca.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Minha cara de preocupação.


Quando o homem tem esse compromisso e dedicação com o trabalho ele é um cidadão honorável, trabalhador exemplar, marido invejável e bom pai de família. Quando a mulher quer fazer o mesmo ela é egoísta.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Estilo próprio.


Tive a honra de conhecer uma grande policial com quem acredito que vou aprender bastante. Ela deve ter uns dez anos de casa e para minha sorte ela também está temporariamente "emprestada" para o setor de Jack Bauer. Jogamos no mesmo time de vôlei, mas ela é apaixonada por atletismo. Quem vê pensa que essa mulher é qualquer outra coisa: universitária, modelo, decoradora, professora, arquiteta, psicóloga, dentista... mas ninguém diria, assim, à primeira vista, que ela parece ser policial. Fala francês fluentemente e já cumpriu missão bem além das fronteiras. Pouca gente sabe, mas ela é namorada de um colega aqui da casa e ele é, com todo respeito, gato demais! Ela também não fica atrás. Eu tava reparando como ela fica bem em qualquer roupa: terninho, calça jeans, joelheiras... Tenho quase certeza de que ela lê revistas de moda italianas. Nas atividades profissionais, ela também tem um estilo fidalgo, muito pessoal com o qual simpatizo bastante. É que às vezes sinto uma pressão enorme para ser o que não sou, e ela me prova que, aqui dentro, temos lugar pra todo tipo de personalidade. Os psicólogos do psicotécnico que me perdoem, mas isso de "perfil policial" pra mim é balela, porque com esse tanto de atribuições que a minha polícia tem é impossível não haver uma área ou função onde o seu perfil se encaixe perfeitamente.

Esta mulher tem curso que eu nem sabia que existia. Você passa a placa do carro e ela te conta até a genealogia do veículo! Dá a impressão de que ela misteriosamente faz tudo parecer possível, simples e prático. Refuta opiniões contrárias citando doutrina clássica, mas de um jeito tão soft, refinado e aparentemente descompromissado que até convence. Quer saber mais? Ela tem carrão, apartamento, cabeleira preta, nariz empinadinho, humor ácido, a crítica afiada e Jack Bauer confia nessa mulherzinha vegetariana. Legal, né? E eu me divirto vendo ela toda arisca a tirar sarro nas situações aqui no dia-a-dia. Apesar de que, uma vez ela quase fez uma piada com os meus óculos escuros que fingi não ter entendido, porém  ela desconversou e retomou seu jeitinho mais formal, contido.

Aprendi uma outra coisa muito importante. Esse pessoal antigão aqui, em sua pose majestosa, não vai parar pra me dar "aula" sobre como ser uma profissional melhor. Por vários motivos. Dentre eles, o medo. Digamos que, de forma claramente voluntária, até agora, a única coisa que ela me ensinou foi como colocar um boton na lapela do terninho sem estragar o tecido, mas eu estou disposta a ouvir avidamente todas as suas histórias e conselhos. Pena que ela vive correndo e é meio fechadona... Devem ser as influências de Jack Bauer.

domingo, 2 de outubro de 2011

Próxima temporada.


A notícia de que Jack Bauer precisa de mim soou como música para os meus ouvidos. Soube que o rock'n'roll está pegando fogo na área dele, o que me deixa com um sorrisão quase cafajeste embutido. Antes dele mandar aquele documento genérico solicitando reforço de outras delegacias, Jack sondou o chefe do chefe do meu chefe (a famosa cadeia alimentar, digo de comando), sobre a possibilidade de esta Novinha aqui passar uma temporada lá com ele! É... ele falou só o meu nominho, especificamente! Entenderam? Receio que não, porque isso não é uma massagem para o Ego, mas um band aid para as minhas feridas. Trabalhar com Jack Bauer significa para muitos sair de suas zonas de conforto, o que não se aplica nem um pouco a mim. Primeiro por uma questão circunstancial, segundo por uma questão de perfil. A resposta do chefão? Óbvio que fui liberada porque pedido de Jack Bauer não se nega. Vamos combinar uma coisa? Se der tudo certo nessa nova temporada, vocês vão parar de me chamar de "Novinha", O.K.? Fui!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pra ficar esperta.



Chegou um novinho com cara de maluco transferido aqui para a minha delegacia alguns meses atrás. Um cara genuinamente muito engraçado. Fizemos amizade e ele logo ganhou minha confiança. Com o tempo acho que percebeu o que vinha acontecendo entre mim e aquela mulher que inferniza a minha vida nesta delegacia. Sendo que isso já está beirando níveis insuportáveis. Outro dia viajamos a serviço. Não acreditei que com tanta mulher na missão iriam me colocar no mesmo quarto que essa criatura. O jeito foi deixar minha bagagem lá e desaparecer do GPS dela. Cheguei de madrugada e a figurinha queria o "relatório" completo, sabe como? Onde eu estava, com quem, por que... Olha, essa mulher precisa urgentemente de um namorado e desde quando isso é problema meu? Voltemos ao Novinho Maluco. Não é que o sujeito virou amigo dela? Até aí, tudo bem... O problema é que do nada, repito com todas as letras, DO NADA, ele resolveu parar de falar comigo. Cansei de perguntar pra ele o que aconteceu. Cansei de ligar pedindo uma explicação. Até que ele me falou de uma forma muito ríspida que não quer que eu lhe dirija a palavra  (Transtorno de Personalidade Limítrofe, de Personalidade Bipolar, Psicopatia ou o quê?). Na hora me deu muita vontade de mandar os dois para o inferno conscientes de como suas passagens foram pagas. Contudo só pude dizer, reticentemente: "Ah, então tá. Tudo bem.". O que eu queria muito mesmo, era não estar nem aí pra isso. Mas meu lado piegas me obriga a confessar mediante tortura que, de noite, lá em casa, me aninhei no colinho Dele e chorei copiosamente, mergulhada em profundas lamentações, tentando sem sucesso entender por que essas coisas acontecem comigo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Sabe com a mãe de quem você tá falando?


A minha mãe adora contar pra todo mundo onde eu trabalho. Além da indiscrição, às vezes ela ainda exagera um pouco ao tecer comentários sobre minhas atividades, habilidades, qualidades... Essa propaganda enganosamente bem intencionada tá me rendendo alguns daqueles famosos inconvenientes pedidos de favores. Veja bem... Não é que eu não queira ajudar. Esforço-me, inclusive, mas sinceramente, tem gente que não tem noção onde sobra malandragem. Houve um que pediu, pra eu tentar "quebrar' uma taxa relativa à emissão de um documento... Tá louco? Gente, isso não existe! Só se eu emitir um documento falso pra ele. Já o meu tio ficou magoadíssimo porque queria que eu pedisse um favor para o Poderoso Chefão e eu não tive coragem. Se eu tivesse essa liberdade com o "homi" eu pediria até pra mim, né? Negativo. Porque tá aí um cara pra quem eu não quero ficar devendo nada! E tem ainda uma multidão que mora longe e quer saber notícias de seus processos em andamento na cidade. Olha, se eu fosse despachante não teria tantos clientes assim.  Mas tá. Até aí tudo bem e a gente faz o que pode. Mas o cúmulo do poder que sobe à cabeça da mãe da gente é que a minha outro dia deu uma "carteirada" no trânsito! Um policial quis usar da "otoridade" pra cima dela mandando indevidamente que ela tirasse o carro do local do acidente sem a chegada do pessoal que registra a ocorrência. Ela contou que disse assim na cara dele: "Policial por policial, a minha filha é da polícia tal, o senhor quer que eu ligue pra ela? "Imagino a cara do colega. Porque ela fala e sai andando, feito Greta Garbo, com evidente certeza de que não vai precisar.